Roberto Carlos





















ROBERTO CARLOS - Louco Por Você
COLUMBIA - 37171
Beat - Bossa - 1961



Faixas:
Lado A
01 - Não é Por Mim
02 - Olhando Estrelas (Look For a Star)
03 - Só Você
04 - Mr. Sandman
05 - Ser Bem
06 - Chore Por Mim (Cry Me A River)

Lado B
07 - Louco por Você (Careful, Careful)
08 - Linda
09 - Chorei
10 - Se Você Gostou
11 - Solo Per Te
12 - Eternamente (Forever)



Dois anos depois do lançamento do compacto simples "João e Maria/Fora do Tom" em 1959, e de sua saída do grupo "The Sputniks", Roberto Carlos estreava "Louco por Você", primeiro LP do cantor.
O disco expressa a fase inicial da carrreira de Roberto, fã da bossa nova e da música romântica. Boa parte das canções do álbum tem composição de Carlos Imperial. Sem sucesso comercial (vendeu 3500 cópias), acabou renegado por Roberto e se tornou o segundo LP mais caro no Brasil.

A "lenda" que cerca o disco, dá conta de que o cantor teve um desentendimento com Carlos Imperial, produtor do disco e "padrinho" do cantor em seu início de carreira. E segundo o próprio Roberto, a fase registrada nesse primeiro disco, teria fechado portas em sua carreira, pois ele passou a ser considerado por muitos um mero "imitador" de João Gilberto.

O disco abre com a musica "Não é por Mim" de Carlos Imperial/Fernando César, os versos finais deste bolero de Carlos Imperial, são apontados como provável causa para a interdição de Roberto à reedição de "Louco por Você". Os versos "e se (alguém) provar que eu fiz você ficar tão triste/eu saberei que existe um céu, que Deus existe", seriam contrários à crença religiosa atual do cantor, que não admite o questinamento da existência de Deus. O livro "Roberto Carlos em Detalhes" afirma que o cantor não gosta dessa música porque teria desafinado no último verso.

Outras canções do LP como "Olhando Estrelas" uma versão da balada "Look for a Star", sucesso entre adolescentes, nos primórdios do rock, na voz do cantor Garry Miles, "Só Você" de Renato Côrte Real/Edson Ribeiro, embalada por um ótimo arranjo rockabilly, a letra ingênua e espirituosa desta canção termina dizendo: "Enquanto eu já vou guardando capital, você vai adiantando o enxoval". E a canção seguinte, "Mr. Sandman", uma balada de sucesso dos anos 50, gravada pelo grupo vocal Four Aces e pelo cantor norte-americano Marvin Gaye, apontam a direção que o repertório de Roberto tomaria em discos seguintes, de "Splish Splash" até "Jovem Guarda".

"Chore por Mim" (Cry me a River), foi celebrizada pela interpretação sussurrada de Julie London, na trilha sonora do filme "The Girl Can't Help it", de 1956. O arranjo da música, em sua gravação com London, era adorado por músicos da Bossa Nova, que a consideravam exemplar. A canção aparece em "Louco por Você" provavelmente como uma referência à bossa nova, de que Roberto era fã confesso. outra musica do Lp, "Se Você Gostou" e mais uma bossa de Carlos Imperial.

Alem de Baladas, Bossas, e Boleros como "Solo per Te", o Lp tem ritmos como o Tcha-tcha-tcha, nas musicas "Louco por Você", e "Linda" de Carlos Imperial, e um Samba "Chorei" composição de Carlos Imperial, Um samba balançado, que poderia estar no repertório de Miltinho ou Elza Soares, com arranjo para orquestra de gafieira. A canção é surpreendente não apenas pelo inusitado do estilo, que nunca mais voltou ao repertório do cantor, mas pela interpretação convincente de Roberto Carlos.

Louco por Você, termina com a balada, "Eternamente" (Forever) ao estilo Paul Anka, que foi sucesso em italiano na voz de Peppino diCapri.

A capa do LP, aliás, é a única em toda a discografia de Roberto que não traz uma foto sua. A imagem de um casal segurando uma flor, foi plagiada de um disco do tecladista americano Ken Griffin.

The Snakes




















THA SNAKES - Só Twist
COLUMBIA - 37227
Twist - 1962


Faixas:
Lado A
01 - Dançando o Twist
02 - The Huclebuck
03 - Cachito
04 - Red Stop Twist
05 - For Me And My Gal
06 - At The Hop

Lado B
07 - Jambalaya
08 - Bei Mir Bist Twist Du Schon
09 - The Pony Time
10 - Patricia
11 - Os Olhos de Marly
12 - Sonho de amor


E preciso voltar no tempo para entendermos a formação do grupo The Snakes...
Os "The Sputniks" formado no Rio de Janeiro, em 1957, por Tim Maia, acompanhado de Roberto Carlos, Arlênio Lívio e Wellington Oliveira. influenciado pelos noticiários dos vôos orbitais da sonda Sputnik. Considerado pelos seus criadores um conjunto moderno e, por tanto tinha que ter um nome de acordo com a época e nada melhor do que o nome de um satélite espacial.

Encerraram o grupo após uma aparição televisiva no programa Clube do Rock, da TV Tupi, onde Roberto Carlos fez um acordo com o produtor Carlos Imperial para aparição solo na semana seguinte. Tim Maia ficou revoltado e passou a xingar o colega nos próximos ensaios, levando Roberto a sair do grupo.

Após a briga entre Tim e Roberto, o grupo The Sputniks foi desfeito, Wellington desistiu da carreira musical, o único remanescente era Arlênio que no ano seguinte resolveu chamar Erasmo e outros amigos da Tijuca, Edson Trindade (que tocou violão no grupo Tijucanos do Ritmo, onde Tim Maia tocava bateria) e José Roberto, conhecido como "China" para formarem o grupo vocal "The Boys of Rock".

Erasmo foi apresentado a Roberto por Arlênio Lívio, Roberto precisava encontrar a letra da canção "Hound Dog", sucesso na voz de Elvis Presley, então Arlênio disse que Erasmo seria a pessoa que possuiria tal letra, pois este era um grande fã de Elvis, Roberto descobriu outras afinidades com Erasmo, além de Elvis, ambos gostavam de Bob Nelson, James Dean, Marlon Brando, Marilyn Monroe, e torciam para o Vasco da Gama.

Roberto Carlos parte, então, em carreira solo, enquanto em 1960, Erasmo Carlos grava no vocal do grupo, em 78 rpm, a canção "Para sempre", de Marcucci, Di Angelis e Paulo Murilo e o fox-rock "Namorando", de Carlos Imperial, pelo selo Mocambo.

Por sugestão de Carlos Imperial o grupo passou a se chamar The Snakes, o grupo chegou a acompanhar, o cantor Cauby Peixoto em sua inusitada passagem pelo rock, na gravação de "Rock and Roll em Copacabana" de 1957 e no filme "Minha Sogra é da Polícia" 1958, onde o cantor interpreta a canção "That's Rock" composta por Imperial.

O grupo vocal de Erasmo estrelou algumas aventuras no underground do mercado musical, até ser contratado pela gravadora pernambucana Mocambo como "concorrentes" dos Golden Boys.
Na Mocambo, os Snakes gravaram alem do 78 RPM, um compacto duplo em 1961, antes de chegarem, por fim, a um único LP, “Só Twist”, pela Columbia "CBS" em 1962, apresentando-se, empresariado por Carlos Imperial, em programas de rádio e TV.

Gilberto Gil





















GILBERTO GIL
PHILIPS - 365.223
Tropicalia - 1967



Faixas:
Lado A
01 - Domingo No Parque

Lado B
02 - Mancada



Gilberto Gil e a cantora Nana Caymmi, defenderia "Bom Dia" parceria dos dois no 3º Festival da Record, em 1967.
No mesmo festival Gil tocaria "Domingo no Parque" acompanhado pelos Mutantes, uma das músicas mais impactantes do festival, classificada em segundo lugar. "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso, classificada em quarto no mesmo festival, formaria junto com "Domingo no Parque" o embrião do movimento tropicalista, em boa parte por causa da inserção de guitarras elétricas em uma música que não era rock, foi definitivamente a mais inovadora, e junto com Caetano Veloso e sua "Alegria, Alegria ", representou o começo, desafiou normas para a música popular brasileira, incorporando influências de vários gêneros e de todo o mundo - uma experiência revolucionária na música popular brasileira na época, quando muitos artistas e críticos estavam lutando para defender a pureza da música brasileira . O som universal passou a representar a nascente Tropicália, o movimento.

Montar algo diferente, partindo de elementos regionais, baianos, para o festival da TV Record: esse era o projeto de Gil ao começar a pensar a canção. "Daí a idéia", conta ele, "de usar um toque de berimbau, de roda de capoeira, como numa cantiga folclórica. O início da melodia e da letra da música já é tirado desses modos. Com a caracterização do capoeirista e do feirante como personagens, eu já tinha os elementos nítidos para começar a criação da história."
Algumas pessoas pensam que rima é só ornamento, mas a rima descortina paisagens e universos incríveis; de repente, você se depara no lugar mais absurdo. Eu, que a procuro primeiro na cabeça, no alfabeto interno - mas também vou ao dicionário, vejo três fatores simultâneos determinantes para a escolha da rima: além do som, o sentido e o necessário deslocamento.

"Em Domingo no Parque, pra rimar com 'sumiu', eu cheguei à Boca do Rio (bairro de Salvador). E quando eu pensei na Boca do Rio, me veio um parque de diversões que eu tinha visto, não sei quantos anos antes, instalado lá, e que, desde então, identificava a Boca do Rio pra mim: desde aquele dia, a lembrança do lugar vinha sempre junto com a roda gigante que eu tinha visto lá. Aí eu quis usar o termo e anotei, lateralmente, no papel: 'roda gigante'.
Ela ia ter que vir pra história de alguma maneira, em instantes.
Era preciso também fazer o João e o José se encontrarem. O João não tinha ido 'pra lá', pra Ribeira; tinha ido 'namorar' (pra rimar com 'lá'). Onde? Na Boca do Rio, pra onde o José, de outra parte da cidade, também foi. No parque vem a conformação dos caracteres psicológicos dos dois. Um, audacioso, aberto, expansivo. O outro, tímido, recuado. Esse, louco por Juliana mas sem coragem de se declarar, vivia há tempos um amor platônico, idealizando uma oportunidade pra falar com ela. Naquele dia ele chega ao parque e a encontra com João, que estava ali pela primeira vez e não a conhecia, mas já tinha cantado Juliana e se divertia com ela na roda gigante. É a decepção total pro José, que não resiste.
Era só concluir. A roda gigante gira, e o sorvete, até então sorvete só, já é sorvete de morango pra poder ser vermelho, e a rosa, antes rosa só, é vermelha também, e o vermelho vai dando a sugestão de sangue - bem filme americano -, e, no corte, a faca e o corte mesmo. O súbito ímpeto, a súbita manifestação de uma potência no José: ele se revela forte, audaz, suficiente. A coragem que ele não teve para abordar Juliana, ele tem para matar."

"A canção nasceu, portanto, da vontade de mimetizar o canto folk e de representar os arquétipos da música de capoeira com dados exclusivos, específicos: com um romance desse, essa história mexicana. Está tudo casado."

"Domingo no Parque, como Luzia Luluza e outras do mesmo período, foi feita no Hotel Danúbio, onde eu morei durante um ano, em São Paulo. Nana (a cantora Nana Caymmi, segunda mulher de Gil) dormia ao meu lado.
Nós tínhamos vindo da casa do pintor Clovis Graciano - amigo de Caymmi, onde eu tinha rememorado muito a Bahia e Caymmi. Eu estava impregnado disso, e por isso saiu Domingo no Parque: por causa de Caymmi, da filha dele, dos quadros na parede. A umas duas da manhã fomos para o hotel e eu fiquei com aquilo na cabeça: 'Vou fazer uma música à la Caymmi, fazer de novo um Caymmi, Caymmi hoje!' Peguei papel e violão e trabalhei a noite toda. Já era dia, quando eu terminei. De manhã, gravei." Por Gilberto Gil.

Caetano Veloso




















CAETANO VELOSO
PHILIPS - 365.222
Tropicalia - 1967



Faixas:
Lado A
01 - Alegria, Alegria

Lado B
02 - Remelexo


"Alegria, Alegria" foi a música que apresentou o movimento tropicalista ao Brasil, em apresentação ao vivo realizada no III Festival da TV Record, em 1967. O ideal exposto pela letra da canção foi reforçado pelo rock do grupo argentino Beat Boys, que ainda colaborou com a estética visual.

"O aspecto do grupo de rapazes de cabelos muito longos portando guitarras maciças e coloridas re-resentava de modo gritante tudo o que os nacionalistas da MPB mais odiavam e temiam", explica Caetano no livro Verdade Tropical. A ideia de Caetano - já pensando na introdução do tropicalismo, ao lado de Gilberto Gil - era a de fazer uma espécie de "marcha de carnaval transformada", cuja letra expusesse as referências pop da época. Ele resgatou uma composição dele, do meio dos anos 60, "Clever Boy Samba", escrita como sátira aos jovens alienados de Salvador. "Rapidamente compreendi que se o tom de mera sátira devia ser subvertido, o esquema de retrato, na primeira pessoa, de um jovem típico da época andando pelas ruas da cidade (o Rio, agora), com fortes sugestões visuais, criadas, se possível, pela simples menção de nomes de produtos, personalidades, lugares e funções - pois esse era o esquema de 'Clever Boy Samba' -, devia ser mantido pois era o ideal para os novos propósitos" Caetano Veloso.

Single foi lançada com Remelexo no lado B em 1967 e também integrou o álbum Caetano Veloso. O nome da música veio, por sua vez, de um bordão que o cantor Wilson Simonal utilizava em seu programa na TV Record, Show em Si... Monal.

A letra possui uma estrutura cinematográfica, conforme definiu Décio Pignatari, trata-se de uma "letra-câmera-na-mão", citando o mote do Cinema Novo. Caetano ainda incluíu uma pequena citação do livro As Palavras, de Jean-Paul Sartre: "nada nos bolsos e nada nas mãos", que acabou virando "nada no bolso ou nas mãos". Como a ideia do arranjo incluía guitarras elétricas, Caetano e seu empresário na época, Guilherme Araújo convidaram o grupo argentino radicado em São Paulo Beat Boys o arranjo foi fortemente influenciado pelo trabalho dos Beatles. Ela é considerada a 10ª maior canção brasileira de todos os tempos pela revista Rolling Stone Brasil.

A canção chocou os chamados "tradicionalistas" da música popular brasileira devido a simples presença de guitarras. No ambiente político-cultural da época, setores de esquerda classificavam a influência do Rock como alienação cultural, o que também foi sentido por Gilberto Gil quando apresentou Domingo no Parque no mesmo festival.

Apesar da rejeição inicial, a música acabou conquistando a maior parte da platéia. Acabou se tornando uma das favoritas, com as manifestações favoráveis superando as facções mais nacionalistas. A música acabou chegando em quarto lugar na premiação final.

Tom Zé





















TOM ZÉ
RGE - CS 70.471
Tropicalia - 1971



Faixas:
Lado A
01 - Silencio De Nós Dois

Lado B
02 - Sr Cidadão

Tom Zé





















TOM ZÉ
RGE - CS 70.375
Tropicalia - 1969



Faixas:
Lado A
01 - Voce Gosta?

Lado B
02 - Feitiço

Os Carbonos




















OS CARBONOS
BEVERLY - BCD 100
Beat - 1967



Faixas:
Lado A
01 - Midnight
02 - Blue Star

Lado B
03 - Theme For Young Lovers
04 - O Milionario

Os Incriveis




















OS INCRIVEIS
RCA VICTOR - LCD 1187
Beat - 1968



Faixas:
Lado A
01 - Minha Oraçao (My Prayer)
02 - Nosso Abraco aos Beatles E Aos Rolling Stones (Twist And Shout - Satisfaction)

Lado B
03 - Nosso Trato
04 - Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones

Os Versáteis




















OS VERSÁTEIS
AU - CS 7.000
Beat - 1968


Faixas:
Lado A
01 - Rejeitada

Lado B
02 - Mexican Surf

Célia Vilela





















CÉLIA VILELA - ...E Viva a Juventude !!!
RGE - XRLP 5.117
Rock - 1961


Faixas:
Lado A
01 - Valentino, Valentino
02 - Trem Do Amor (One way ticket to the blues)
03 - Streap-Tease Rock
04 - Quando O Amor Vem (In between teen)
05 - Passo A Passo (Step by step)
06 - Parabéns (Congratulations)

Lado B
07 - Perdi A Chave (I can't find my keys)
08 - Fish Walk
09 - Diga-Me (Tell me)
10 - Conversa Ao Telefone (Pillow talk)
11 - És Meu Amor (My love for you)
12 - Sempre Houve Amor (With the bug)

Os Novos Bahianos





















OS NOVOS BAHIANOS - É Ferro Na Boneca !
RGE - XRLP 5.340
Tropicalia - 1970



Faixas:
Lado A
01 - Ferro Na Boneca
02 - Eu De Adjetivos
03 - Outro Mambo, Outro Mundo
04 - Colégio De Aplicação
05 - A Casca De Banana Que Eu Pisei
06 - Dona Nita E Dona Helena
07 - Se Eu Quiser Eu Compro Flores

Lado B
08 - E O Samba Me Traiu
09 - Baby Consuelo
10 - Tangolete
11 - Curto De Véu E Grinalda
12 - Juventude Sexta E Sábado
13 - De Vera



Em 1968, os Mutantes reinaram absolutos no rock antropofágico consolidado com o Tropicalismo.
Os roqueiros paulistanos tornaram-se ícones da juventude que protagonizou os primeiros dias de nossa contracultura, especialmente no eixo RJ-SP. Mas quem, dois anos mais tarde, de fato, deu o chute na porta e incitou jovens dos grandes centros urbanos de todo o País a experimentar o desbunde e formas libertárias de encarar o mundo a sua volta, foram mesmo os Novos Baianos.

O primeiro LP gravado na RGE, em 1970, álbum de estreia do quarteto foi um dos embriões da intensa movimentação contracultural brasileira tanto na qualidade das letras do poeta Galvão, como na fórmula musical, acrescida da energia dos Leifs (grupo anterior dos guitarristas Lico, Pepeu Gomes e de seus irmãos, o baterista Jorginho e o baixista Carlinhos Gomes, que acompanha o quarteto).
É Ferro na Boneca!, como o título sugere, é álbum ousado e radical. Especialmente se considerarmos seu ano de lançamento, 1970. Vale lembrar, era muito popular na Bahia, a expressão que dá nome a estreia dos Novos Baianos foi cunhada pelo radialista e apresentador de TV, França Teixeira.

A canção de "De Vera", tocou na Rede Record, no 'V Festival de Música Popular Basileria', mas foi desclassificada mais tarde.

Pouco antes de partir para Londres e enfrentar dois anos de exílio, ao lado do amigo Gil, Caetano foi conferir de perto o tão falado "Desembarque dos Bichos, Depois do Dilúvio Universal"  – o anárquico espetáculo que apresentou os Novos Baianos à juventude de Salvador. Em um gesto afetuoso e motivador, Caetano sentenciou: “Vocês me pedem que eu os apresente. Mas eu estou indo embora e só aceito deixar um bilhete para vocês. Estive esse tempo aqui e vi que vocês estão respondendo à nova Bahia com o mesmo humor terrível que ela questiona. Mandem brasa, Brasil!”

O texto foi reproduzido na contracapa de É Ferro na Boneca! e compilado com outros excertos que compõem a apresentação do LP, assinada por Augusto de Campos, poeta, tradutor e crítico musical.

 “Há algum tempo, quando Caetano e Gil eram itens proibidos, eu adverti: ‘É preciso olhar para eles’. Sem se deixarem intimidar ou hipnotizar os Novos Baianos olharam para eles. Viram o que tinham de ver e partiram em busca de seu próprio caminho.” Augusto de Campos

Gal Costa

 

GAL COSTA
PHILIPS - 441.426
Tropicalia - 1968


Faixas:
Lado A
01 - Baby - Com Caetano Veloso
02 - A Coisa Mais Linda Que Existe

Lado B
03 - Saudosismo
04 - Mamãe Coragem


1, 2, 3, fogo! O mundo entrava em ebulição, a cultura brasileira entrava em ebulição, Gal Costa entrava em ebulição. 1968 é o ano mais importante da década de 60 e um período divisor de águas para o século 20. Nesse período, a juventude do Ocidente passava a exigir mudanças, rupturas e atitudes arrojadas. Havia sexo, drogas e rock´n´roll. Havia amor, psicodelia e viagens espaciais. Havia revolta, cabelos e sonho. Era preciso estar atento e forte.

Em maio de 1968, milhares de pessoas saem às ruas de Paris, em protestos que misturavam política e novos rumos do pensamento. Jimi Hendrix lançava o disco Electric Ladyland e saía o The White Álbum, dos Beatles. Stanley Kubrick mandava tudo para outras galáxias, em seu espantoso 2001, uma Odisséia no Espaço. A rainha Elizabeth II visitava o Brasil, o cirurgião Christian Barnard fazia o primeiro transplante de coração, Andy Warhol era baleado em Nova York pela atriz Valerie Solanas, morriam Sérgio Porto e Marcel Duchamp, e o general Costa e Silva, segundo presidente militar do golpe de 1964, tornava-se cada vez mais sinistro.

Rogério Sganzerla estreava no cinema com O Bandido da Luz Vermelhae o grupo Oficina encenava Galileu, Galileu. Marília Pêra, Marieta Severo e Paulo César Pereio, entre outros atores, eram espancados por policiais militares durante a temporada de Roda Viva. Estreava mundialmente O Submarino Amarelo, animação em longa metragem que traduz o auge da psicodelia. Seus autores, os Beatles, passavam temporadas na Índia com gurus espirituais.

Na melhor cidade do América do Sul, fermentava o Tropicalismo, movimento estético e musical que mudou para sempre a feição brejeira, lírica e ingênua da MPB. Caetano Veloso e Gilberto Gil elaboram um disco-manifesto, batizado com o nome de um trabalho do artista plástico Hélio Oiticica: Tropicália. Participam desse trabalho, além de seus dois mentores, Os Mutantes, Nara Leão, o maestro Rogério Duprat, Tom Zé, os poetas Torquato Neto e Capinam, e Gal Costa -- que canta em três faixas: Baby, Parque Industrial e Mamãe Coragem.

Ainda em 1968, logo após a gravação do album manifesto "Tropicalia" Gal registrou mais 2 faixas para o compacto duplo com as musicas “Baby” e “Mamãe Coragem”, de Caetano e Torquato, presentes no LP e as musicas "A Coisa Mais Linda Que Existe", de Gilberto Gil e Torquato Neto, e "Saudosismo" de Caetano veloso.
E antes que o ano terminasse, defendeu “Divino Maravilhoso” no Festival da Record composta por Caetano e Gil, a música inspiraria a criação de um programa de TV dedicado à turma da tropicália, que, entretanto, não sobreviveria ao final do ano.

Os Iguais




















OS IGUAIS
RCA VICTOR - LC 6261
Beat - 1966


Faixas:
Lado A
01 - A Partida

Lado B
02 - Quero te Dar Meu Coração (I'll Follow The Sun)

Jorge Ben





















JORGE BEN
PHILIPS - R 765.100 L
Tropicalia - 1969


Faixas:
Lado A
01 - Crioula
02 - Domingas
03 - Cadê Teresa
04 - Barbarella
05 - País Tropical

Lado B
06 - Take it Easy my Brother Charles
07 - Descobri que Eu Sou um Anjo
08 - Bebete Vãobora
09 - Quem Foi que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa que a Vovó Ganhou da Baronesa?
10 - Que Pena
11 - Charles Anjo 45


Jorge Ben acompanhado pelo Trio Mocotó e Os Originais Do Samba, o lp e quase todo arranjado por José Briamonte que foi extremamente feliz em todas as músicas, quem também aparece por aqui é  Rogério Duprat responsável pelas faixas "Barbarella" e "Descobri Que Sou Um Anjo". 

Esse álbum já nasceu clássico, pois é nele que estão as músicas: "País Tropical", "Cadê Tereza?", "Take it Easy My Brother Charles", "Que Pena" e "Charles Anjo 45" agora... "Quem foi que roubou a sopeira de porcelana chinesa que a vovó ganhou da Baronesa?" é genial. 
1969 foi o ano em que Jorge flertou com o Tropicalismo esse disco mostra bem isso basta prestar atenção na capa feita por Albery, além do mais no ano anterior Jorge gravou "A Minha Menina" no álbum de estréia dos Mutantes. 

Outra gravação de "Charles Anjo 45" foi lançada somente em compacto no mesmo ano e interpretada por Caetano Veloso, Ben participa da gravação.

Caetano Veloso




















CAETANO VELOSO
PHILIPS - R 765.086 L
Tropicalia - 1969



Faixas:
Lado A
01 - Irene
02 - The Empty Boat
03 - Marinheiro Só
04 - Lost in the Paradise
05 - Atrás do Trio Elétrico
06 - Os Argonautas

Lado B
07 - Carolina
08 - Cambalache
09 - Não Identificado
10 - Chuvas de Verão
11 - Acrilírico
12 - Alfômega



"Gravei só com Gilberto Gil ao violão, quando estava confinado, sem poder sair de Salvador. Até ir para o exílio em Londres, era impensável eu tocar violão num LP. Todo mundo achava meu violão abaixo do nível profissional. É um disco da minha situação na prisão. Tem Irene, que fiz na cadeia, sem violão, uma coisa portuguesa, que adoro. Gosto muito de sermos portugueses. Adorei a canção Portuga, do último disco do Cazuza. Tem Os Argonautas, que me foi sugerida por Bethânia. Tem Carolina, que é muito deprimida e tinha a ver com o disco. Fiz o disco confinado, gravamos eu e Gil lá em casa, num gravador de quatro canais. Tem Atrás do Trio, Elétrico, que é histórica. É o momento inaugural de toda a fase nova da música baiana. Tenho orgulho. Desencadeou o incremento dos trios elétricos. Fez Dodô e Osmar voltarem às ruas. A complementação dela veio com o Gil, na música Filhos de Gandhi. Foi o estopim para a onda de novos blocos. 
Resultou em tudo isso, na música da Bahia." .... Por Caetano Veloso.

Apesar da qualidade técnica com que foi gravado, soa muito bem até hoje.
Começando com "Irene" com seu palíndromo ("irene ri") que tem uma gravação despojada e excelente, seguido por  "The empty boat", a adaptação de "Marinheiro só" samba de roda com coro, prato e guitarra e "Lost in the paradise", a segunda em inglês.
Tem "Atrás do trio elétrico", popular nos carnavais até hoje. "Os argonautas", tema que remete ao verso de Fernando Pessoa, feita para Bethânia (e gravada por ela em 1969 no disco "Ao vivo"), a versão de "Carolina" que Chico Buarque não gostou...

 (…)  e ficou magoado, tanto assim que a sua reação negativa chegou a ser publicada. Ele deve ter-se perguntado o porquê de alguém se debruçar sobre uma canção à qual ele não dava grande importância. Carolina havia se tornado um hit nacional. E eu, na cadeia, na Bahia, via Carolina ser cantada naqueles programas infantis pré-Xuxa, por aquelas crianças baianas de sotaque carregado e de cara de gente pobre. E, além disso, havia um disco chamado “As Favoritas do Presidente Costa e Silva”, com dez canções cantadas por Agnaldo Rayol. Uma delas era Carolina. Então eu escolhi Carolina entre outras canções para representar o grau de depressão em que a gente estava.
Revista do CD, entrevista a J.J Moraes - 05/1992

A releitura do tango "Cambalache"- crítico e dramático, como definiu Augusto de Campos.
Na sequência o hit "Não identificado" em versão cheia de sons não identificados, psicodélicos, "Chuvas de verão" de Fernando Lobo.
Por fim, merecendo destaque especial, a canto-falada poesia-experiência "Acrilírico", feita em parceria com o maestro Rogério Duprat, e "Alfômega" que é a maior ousadia e desbunde do disco com um canto arrastado de Caetano e os vocais gritados de Gil.
Um disco de despedida acenando o exílio.